{"id":45290,"date":"2026-01-07T18:39:32","date_gmt":"2026-01-07T18:39:32","guid":{"rendered":"https:\/\/navegantesoceanicos.com\/?p=45290"},"modified":"2026-01-09T19:43:14","modified_gmt":"2026-01-09T19:43:14","slug":"tamara-klink-um-inverno-no-artico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/navegantesoceanicos.com\/pt-pt\/tamara-klink-um-inverno-no-artico\/","title":{"rendered":"Tamara Klink, um inverno no \u00c1rtico"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||16px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;-35px|auto||auto||&#8221; custom_padding=&#8221;14px||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text admin_label=&#8221;Texto resumen&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>As viagens e expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas desta jovem brasileira, nascida em S\u00e3o Paulo, mas que prosseguiu a sua carreira como arquiteta naval em Fran\u00e7a, revelam hist\u00f3rias do P\u00f3lo Norte e da sua travessia transatl\u00e2ntica, que narrou numa s\u00e9rie de livros.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A hist\u00f3ria desta aventureira que foi a primeira mulher latino-americana a atravessar uma passagem inexplorada que liga os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, passando pelo norte do Canad\u00e1, Gronel\u00e2ndia e Alasca.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_4,1_2,1_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;3px||10px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Marin-Le-Roux-Tamara-Klink.jpg&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\">Tamara Klink<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||14px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||9px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;intro&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cTal pai, tal filho.\u201d Esta \u00e9 a primeira coisa que me vem \u00e0 cabe\u00e7a depois de conversar um pouco com Tamara Klink. A escritora e velejadora de 28 anos \u00e9 filha de Amyr Klink, explorador, velejador e escritor brasileiro que circum-navegava o continente ant\u00e1rtico e foi o primeiro a atravessar o Atl\u00e2ntico Sul, da Nam\u00edbia, \u00c1frica, a Salvador, Brasil, a bordo de um pequeno barco a remos, durante quase 100 dias na d\u00e9cada de 1990. Assim, quando, ao regressar, a menina ouvia as hist\u00f3rias do pai enquanto o esperava no porto com Marina Bandeira, a sua m\u00e3e \u2014 uma talentosa fot\u00f3grafa \u2014 e as suas duas irm\u00e3s, ou tricotava \u00e0 noite embalada por aqueles contos de mares tempestuosos repletos de baleias e focas, rodeados de imponentes icebergues, nunca imaginou um futuro t\u00e3o long\u00ednquo daquele oceano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Tamara Klink come\u00e7ou a planear as suas pr\u00f3prias viagens aos doze anos. O desejo \u2014 e o barco \u2014 chegaram pouco depois, quando ela atravessou da Noruega para Fran\u00e7a na sua primeira longa viagem a bordo de um antigo veleiro de madeira. Em 2020, ousou atravessar o Atl\u00e2ntico sozinha \u2014 de Fran\u00e7a a Recife, no Brasil \u2014 uma viagem que a catapultou para o topo como a primeira jovem brasileira a velejar no seu pa\u00eds. Mais tarde, tornou-se a primeira mulher a passar o inverno sozinha no C\u00edrculo Polar \u00c1rtico, durante nove meses de hiberna\u00e7\u00e3o. Nessa mesma viagem, em setembro de 2025, aventurou-se tamb\u00e9m a navegar pela trai\u00e7oeira Passagem do Noroeste durante 45 dias, um tro\u00e7o de 6.500 quil\u00f3metros da Gronel\u00e2ndia ao Alasca, ligando os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico atrav\u00e9s de \u00e1guas geladas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas velejar n\u00e3o foi a \u00fanica coisa que herdou do pai: a sua leitura sobre exploradores e o seu amor pela escrita tamb\u00e9m a levaram a novos mundos. Em 2010, publicou o livro *F\u00e9rias na Ant\u00e1rtida*, juntamente com as suas irm\u00e3s Laura e Marina Helena \u2014 que foi inclu\u00eddo no curr\u00edculo de muitas escolas brasileiras \u2014 seguido, em 2021, por mais dois livros, *Mil Milhas* e *Um Mundo em Poucas Linhas*. Em 2023, publicou *N\u00f3s: O Atl\u00e2ntico em Solit\u00e1rio* (ainda n\u00e3o traduzido para espanhol), um livro que relata a sua travessia a solo do Atl\u00e2ntico em 2021. \u201cQuando estou a navegar, sozinha, no meio do gelo, tenho uma sensa\u00e7\u00e3o que me domina: estou a entrar naquelas hist\u00f3rias que ouvia quando era pequena, que o meu pai nos contava quando regressava das suas viagens. Queria saber como era na realidade\u201d, conta, agora, a poucas horas de passar o Natal com os pais e as irm\u00e3s em S\u00e3o Paulo, no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;6px||9px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Tamara-en-la-proa-scaled.jpeg&#8221; alt=&#8221;tamara klink a vela en paso del NW&#8221; title_text=&#8221;a vela en paso del NW&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||3px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||14px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 1,2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: rgba(8, 21, 163, 0.98);\"><strong><em>Como come\u00e7ou a velejar?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O meu fasc\u00ednio pela navega\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com as hist\u00f3rias que o meu pai me contava. Passava muitos meses no mar e, quando regressava das suas viagens, a minha m\u00e3e, as minhas irm\u00e3s e eu \u00edamos \u00e0 praia v\u00ea-lo chegar. As suas viagens eram muito longas: por vezes tr\u00eas, quatro, cinco meses, at\u00e9 um ano. Ador\u00e1vamos as suas hist\u00f3rias e eu sonhava viajar um dia para ver os animais gigantes que nadavam debaixo do navio, que ele nos descrevia com tantos pormenores. Falava-nos tamb\u00e9m de aves que podiam dar a volta ao mundo simplesmente batendo as asas, planando, ou que nadavam como baleias. Descrevia tamb\u00e9m imensos castelos, igrejas e catedrais que eram icebergues, constru\u00eddos a partir de \u00e1gua, flutuando no mar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Eu queria explorar aquele mundo m\u00e1gico. Quando \u00e9ramos crian\u00e7as, tamb\u00e9m fomos \u00e0 Ant\u00e1rtida pela primeira vez: eu tinha oito anos e a minha irm\u00e3 cinco. Percebemos que todas as hist\u00f3rias que nos contava eram reais e que eu n\u00e3o conseguiria viver da mesma forma que antes, depois de explorar todo aquele continente. Por isso tamb\u00e9m comecei a ler muitos livros; era uma forma de manter o sonho vivo. Quando \u00e9ramos pequenos, tamb\u00e9m naveg\u00e1vamos em Optimists: a minha m\u00e3e levava-me \u00e0s aulas, mas eu n\u00e3o era muito bom nisso. N\u00e3o associava muito a vela naquele pequeno reservat\u00f3rio (em S\u00e3o Paulo) \u00e0s viagens que o meu pai fazia. Eu chegava sempre por \u00faltimo. N\u00e3o gostava muito, mas era importante porque, em crian\u00e7as, n\u00e3o nos era permitido correr muitos riscos ou \u00e9ramos obrigados a ficar parados. Mas naquele barco, raparigas e rapazes estavam em p\u00e9 de igualdade. Todos t\u00ednhamos o direito de sentir perigo, de correr riscos, de experimentar a autonomia, de navegar o mais longe que consegu\u00edssemos, de atravessar aquele lago com a nossa pr\u00f3pria vontade e conhecimento, naquela pequena embarca\u00e7\u00e3o, o que era muito libertador.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0316a8;\"><strong><em>Que d\u00favidas ou receios surgiram nessa \u00e9poca? <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Uma das minhas principais preocupa\u00e7\u00f5es era se conseguiria tornar-me aquela marinheira, aquela &#8220;marinheiro&#8221; que eu conhecia, porque n\u00e3o era homem (risos). Mais tarde, quando tive de escolher um curso na universidade, optei por Arquitetura com a ideia de construir projetos reais. Ou seja, partimos da teoria \u2014 e dos sonhos \u2014 para os tornar realidade. Pensei que este curso me daria um conjunto de compet\u00eancias para, mais tarde, me tornar marinheira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Fiz os primeiros estudos na Universidade de S\u00e3o Paulo, no Brasil, e depois vivi durante quase sete anos no norte do pa\u00eds. Prossegui tamb\u00e9m os meus estudos na Escola de Arquitetura Naval de Nantes, em Fran\u00e7a, gra\u00e7as a um programa de interc\u00e2mbio acad\u00e9mico. Em Fran\u00e7a, finalmente conheci mulheres que velejavam e viajavam. Isso foi muito importante, porque me parecia imposs\u00edvel. A possibilidade de conhecer outras pessoas da minha idade que praticavam vela, ou at\u00e9 os mesmos autores que lia, tamb\u00e9m me alargou os horizontes.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_5,3_5,1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;7px||15px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/TAMARA-KLINK-en-proa-velero.jpg&#8221; alt=&#8221;tamara klink a vela en paso del NW&#8221; title_text=&#8221;a vela en paso del NW&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;-15px|auto||auto||&#8221; custom_padding=&#8221;||2px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||2px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 3,4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0819a0;\"><strong><em>\u00c9 verdade que o seu primeiro veleiro, o Sardinha, custou o mesmo que uma bicicleta?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Sim, acho que guardei essa experi\u00eancia e essa sensa\u00e7\u00e3o do Optimist, e quando comprei o meu primeiro veleiro, um barco muito antigo, na Noruega, dei-lhe um tratamento para navegar. Foi durante a pandemia, em 2020. Era um Magic, desenhado por um arquiteto naval sueco, de 1984. Tinha 22 anos: naveguei da Noruega at\u00e9 Fran\u00e7a. N\u00e3o planeava ir mais longe do que isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A minha ideia era construir um barco novo para atravessar o Atl\u00e2ntico, que eu pr\u00f3prio iria projetar, mas percebi que j\u00e1 tinha um veleiro perfeitamente adequado para esta travessia. N\u00e3o precisava de um barco novo, que teria de construir, arranjar patroc\u00ednios e que poderia demorar anos. Decidi ent\u00e3o ir com o meu pr\u00f3prio barco, numa viagem que teve muitas surpresas, com momentos stressantes e outros muito bons, porque conheci muitas pessoas em cada porto, fiz amigos e aprendi muito sobre mim, sobre o mar e sobre o barco.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #061da0;\"><strong><em>Porque \u00e9 que o veleiro se chama Sardinha?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A minha av\u00f3 escolheu o nome do barco: disse que era um barco pequeno, do qual ningu\u00e9m esperava muito, mas que podia percorrer grandes dist\u00e2ncias. Mas, sobretudo, porque as sardinhas nunca est\u00e3o sozinhas; nadam sempre em cardumes.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_5,3_5,1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;4px||5px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Sandinha-explorando-paso-NW.jpg&#8221; alt=&#8221;tamara klink a vela en paso del NW&#8221; title_text=&#8221;a vela en paso del NW&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||17px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 5,6&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #061299;\"><strong><em>Como decidiu viajar para o C\u00edrculo Polar \u00c1rtico?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Gostei muito de atravessar o Atl\u00e2ntico. Assim, quando cheguei a Paraty depois desta viagem, decidi fazer a viagem mais longa que conhecia at\u00e9 ent\u00e3o, uma viagem atrav\u00e9s do tempo, onde pudesse passar o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel no mar. O que eu queria experimentar era uma viagem pelas esta\u00e7\u00f5es do ano no \u00c1rtico, onde pudesse ficar &#8220;preso&#8221; \u00e0quelas \u00e1guas geladas do Mar da Gronel\u00e2ndia.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #06089e;\"><strong><em>Esta possibilidade implicava um elevado grau de autossufici\u00eancia em termos de alimenta\u00e7\u00e3o, aquecimento e capacidade de completar a viagem, certo?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #06089e;\"><strong><em>Foste a primeira mulher a passar o inverno completamente sozinha no Polo.<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o existe uma palavra para isto em espanhol ou portugu\u00eas, mas em franc\u00eas ou ingl\u00eas \u00e9 algo como hiberna\u00e7\u00e3o. A minha ideia era ir para um s\u00edtio muito frio, onde o mar gela, e ficar oito meses: adorei (risos). Era tamb\u00e9m muito perigoso, porque era mais f\u00e1cil morrer do que tentar sobreviver naqueles locais. A verdade \u00e9 que me preparei bastante antes: no meu barco, sentia-me em casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Vivi dois anos antes de zarpar (no Sardinha 2, um veleiro de a\u00e7o de 32 p\u00e9s) de Fran\u00e7a para Aasiaat, na Gronel\u00e2ndia. Tinha comida suficiente para todo o inverno, que era praticamente vegan, por exemplo, com muitas sementes, que tamb\u00e9m conseguia germinar. Por vezes tamb\u00e9m pescava, porque percebi que com as sobras n\u00e3o deixava qualquer lixo caso as raposas comessem.<\/span><span style=\"color: #000000;\">.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; admin_label=&#8221;Videos invernaje&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;8px||9px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_video src=&#8221;https:\/\/youtu.be\/kfPnDorz80A&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_video][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_video src=&#8221;https:\/\/youtu.be\/dMkSe1too3c&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_video][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||11px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 7,8&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0911a3;\"><strong><em>Num epis\u00f3dio, vi-te encontrar um urso polar que tentou subir a escada do veleiro. Mas n\u00e3o o ouvi mencionar raposas. <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: rgba(0, 0, 0, 0.96);\">Sim, havia muitas raposas brancas e pretas que se aproximavam do meu barco em busca de alimento. Por vezes deixava-lhes restos de peixe, mas outras vezes era precisamente o peixe que eu pretendia comer (risos). Por vezes roubavam-me os term\u00f3metros: perdi todos os que tinha para medir a temperatura! Outras vezes encontrava pequenos objetos do meu barco espalhados pelo conv\u00e9s: uma corda solta que n\u00e3o estava l\u00e1 ou a capa da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica atirada por estes animais muito inteligentes e muito alerta \u2014 eu nem por isso (risos). Havia tamb\u00e9m muitos corvos, pombos pequenos e emplumados, e at\u00e9 focas. N\u00e3o havia tantos animais em pleno inverno: estava tudo muito calmo.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #030a9b;\">Para al\u00e9m dos icebergues e da instabilidade clim\u00e1tica ou das correntes oce\u00e2nicas, que impress\u00f5es teve, ao longo da viagem, relativamente \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ao seu impacto nas esp\u00e9cies da regi\u00e3o?<\/span><\/em><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #030a9b;\">\u00c9 verdade que apenas 9% do percurso tinha gelo marinho, ao contr\u00e1rio de h\u00e1 cerca de 30 anos, quando eram necess\u00e1rios quebra-gelos ou a travessia deste estreito era muito dif\u00edcil?<\/span><\/em><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Depois dos meses que passei durante o inverno, decidi continuar as minhas viagens um pouco mais para explorar outros locais. Assim, atravessei um estreito que, h\u00e1 mais de trinta anos, era muito dif\u00edcil porque havia muito mais gelo do que agora. N\u00e3o s\u00f3 havia muito mais gelo, como era mais espesso: agora s\u00f3 via gelo muito fino, que n\u00e3o dura tanto tempo e n\u00e3o resiste ao calor. Tanto os invernos como os ver\u00f5es s\u00e3o muito mais quentes do que antes, por isso tudo derrete muito rapidamente, e estas passagens abrem mais rapidamente ou at\u00e9 mesmo antes do previsto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por outras palavras, mant\u00eam-se abertas \u00e0 navega\u00e7\u00e3o durante mais tempo: antes, podia demorar anos a atravess\u00e1-las, e agora fi-lo em cerca de 45 dias, encontrando gelo marinho durante apenas cinco dias. Um dos relatos mais importantes que li sobre esta passagem foi o de Roald Amundsen, que a navegou em 1905 ao longo de tr\u00eas anos (foi o primeiro navegador a completar a Passagem do Noroeste, que foi sempre muito desafiante). Demorei 60 dias no total at\u00e9 chegar ao primeiro posto avan\u00e7ado.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;7px||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][dsm_image_carousel gallery_ids=&#8221;45217,45220&#8243; slide_to_show=&#8221;2&#8243; admin_label=&#8221;Supreme Image Carousel paso NW&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/dsm_image_carousel][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||7px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 9,10&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #091ba0;\"><strong><em>Imagino que as cartas n\u00e1uticas, por se tratar de uma regi\u00e3o t\u00e3o pouco explorada, sejam tamb\u00e9m muito pouco fi\u00e1veis. Como lidou com isso?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: rgba(0, 0, 0, 0.97);\">As cartas n\u00e1uticas s\u00e3o absolutamente imprecisas. \u00c9 uma regi\u00e3o onde \u2014 at\u00e9 agora \u2014 n\u00e3o h\u00e1 muitos navios, pelo que mapear o fundo do mar deve ser muito dispendioso. Al\u00e9m disso, durante grande parte do ano, a superf\u00edcie est\u00e1 coberta de gelo, embora seja mais fino e n\u00e3o dure tanto tempo como antes. Existem muitas \u00e1reas n\u00e3o mapeadas, onde existem apenas canais estreitos com poss\u00edveis percursos. Nunca conseguimos ver exatamente o que est\u00e1 no fundo do mar, por isso navegamos usando instru\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os textos que eram usados \u200b\u200b\u200b\u200bantes e dizem coisas como: &#8220;Cuidado, pois as correntes aqui s\u00e3o muito fortes, n\u00e3o h\u00e1 t\u00e1buas de mar\u00e9s e tudo \u00e9 muito perigoso&#8221;. Depois, temos de avaliar a situa\u00e7\u00e3o com base na nossa pr\u00f3pria observa\u00e7\u00e3o e conhecimento, fazer medi\u00e7\u00f5es e determinar como prosseguir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgba(0, 0, 0, 0.97);\">\u00c9 uma navega\u00e7\u00e3o muito t\u00e9cnica: notei que outros barcos tinham muitos problemas, e mesmo assim senti-me muito seguro. Tamb\u00e9m me diverti bastante, embora \u2014 claro \u2014 tenha enfrentado condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, mas nada de completamente novo, pois agora tenho alguma experi\u00eancia como navegador. Esta foi a viagem mais longa que j\u00e1 fiz.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #06179b;\"><strong><em>Como lidou com o tempo e a solid\u00e3o durante estes meses sem contacto humano? <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 um tipo de navega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o recomendaria a principiantes, porque nunca dorm\u00edamos mais de 20 minutos seguidos: acordava e verificava se havia icebergues, rochas, outros barcos, e depois dormia mais 20 minutos. Por vezes, nem conseguia voltar a adormecer, porque havia muita coisa com que me preocupar. Agora acho que j\u00e1 estou mais habituado, porque estou mais atento aos meus padr\u00f5es de sono e consigo regul\u00e1-los um pouco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 n\u00e3o me surpreendo t\u00e3o facilmente, mas claro que ainda sou um principiante: suponho que sempre o serei, porque o mar \u00e9 sempre diferente, as tempestades podem ser maiores ou posso encontrar situa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias, embora nunca me queira expor a riscos maiores do que o necess\u00e1rio e tente sempre proteger o meu corpo, porque \u00e9 o meu instrumento de trabalho e uma m\u00e1quina importante para o funcionamento do pr\u00f3prio barco. N\u00e3o consigo chegar a lado nenhum se o meu barco n\u00e3o conseguir.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_5,3_5,1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;3px||12px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/TAMARA-klink-cubierta.jpg&#8221; alt=&#8221;TAMARA klink cubierta&#8221; title_text=&#8221;TAMARA klink cubierta&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||10px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||1px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 11,12&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000d9e;\"><em>O que \u00e9 que o seu pai disse quando lhe contou sobre os seus planos de velejar sozinha? E como lida com a press\u00e3o de ser filha de uma figura t\u00e3o conceituada na vela?<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando tinha doze anos, ainda crian\u00e7a, perguntei ao meu pai se me deixava viajar sozinha, e ele disse que sim. Perguntei se poderia ser no barco dele, se mo emprestava, se estaria dispon\u00edvel para eu navegar sozinha, e ele disse que n\u00e3o. O seu pensamento era que, se eu quisesse velejar, deveria ter o meu pr\u00f3prio veleiro e constru\u00ed-lo da mesma forma que ele tinha constru\u00eddo o dele. Acreditava que, se eu quisesse velejar, tamb\u00e9m teria de trilhar o meu pr\u00f3prio caminho. Ent\u00e3o, tive de aprender de uma forma diferente. Hoje, reconhe\u00e7o que o meu pai abriu muitas portas, n\u00e3o s\u00f3 para mim, mas para muitos velejadores na Am\u00e9rica Latina que sonham em realizar coisas dif\u00edceis. Foi uma grande inspira\u00e7\u00e3o para muitas pessoas que leram os seus livros ou descobriram as suas viagens. Em muitos lugares do mundo por onde passei, encontrei marinheiros que tinham lido os seus livros ou os guardavam nos seus pr\u00f3prios barcos. Quando era pequena, pensava que todos os pais eram assim e que costumavam ir \u00e0 Ant\u00e1rtida, por exemplo, mas, quando cresci, percebi que n\u00e3o era bem assim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Percebi verdadeiramente que o meu pai tinha alargado os limites do imposs\u00edvel e do poss\u00edvel. Aquilo que era praticamente imposs\u00edvel passou a fazer parte dos meus sonhos gra\u00e7as a ele. Ao mesmo tempo, quando me disse que n\u00e3o me ia ajudar com dinheiro, o barco ou contactos, deu-me tamb\u00e9m a liberdade de trilhar o meu pr\u00f3prio caminho, com os meus pr\u00f3prios sucessos e fracassos, o que \u00e9 essencial para a aprendizagem. Aprendi a tomar decis\u00f5es por conta pr\u00f3pria porque n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m no barco a quem pudesse pedir ajuda. \u00c9 por isso que acho que construir um projeto faz parte do treino de um marinheiro: \u00e9 uma etapa t\u00e3o dif\u00edcil que, uma vez ultrapassada, velejar parece muito simples depois (risos). Nos projetos, tem de lidar com rotas, prazos, falta de dinheiro, pessoas que dizem que tudo \u00e9 imposs\u00edvel, que n\u00e3o \u00e9 capaz, burocracia e vistos entre pa\u00edses, enquanto que velejar \u00e9 apenas o mar, o seu corpo e o barco.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #091099;\"><strong><em>E como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com os seus pais quando est\u00e1 a viajar? Avisa-os quando chega em seguran\u00e7a? Quer dizer, pensando especialmente no seu pai, que sabe dos perigos ou dificuldades que pode enfrentar. <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Geralmente n\u00e3o gosto muito de manter o contacto; apenas utilizo um dispositivo por sat\u00e9lite para enviar mensagens curtas. N\u00e3o comunico muito com os meus pais quando viajo, porque podem ficar muito preocupados e n\u00e3o me conseguiriam ajudar a resolver problemas. Assim, s\u00f3 comunico com pessoas que realmente me podem ajudar numa situa\u00e7\u00e3o, sem ter fortes la\u00e7os emocionais.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;6px||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][dsm_image_carousel gallery_ids=&#8221;45226,45229,45232,45214&#8243; slide_to_show=&#8221;2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/dsm_image_carousel][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||13px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||10px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 13,14&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em> Com base na sua experi\u00eancia, o que considera essencial para velejar sozinho? Que elementos considera indispens\u00e1veis<\/em><span style=\"color: #0819a0;\"><strong><em>?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Um cron\u00f3metro, um rel\u00f3gio, para me acordar durante aqueles vinte minutos de sono. Tamb\u00e9m preciso de roupa confort\u00e1vel e de um di\u00e1rio para escrever caso morra. Acho que \u00e9 importante ter um registo do que aconteceu. Por vezes, quando estamos sozinhos durante muito tempo, come\u00e7amos a ter pensamentos repetitivos ou negativos. Por vezes, um pouco paran\u00f3icos ou desesperados. Mas quando escrevo, j\u00e1 n\u00e3o tenho o direito de ser v\u00edtima; sou obrigado a ser o protagonista da hist\u00f3ria e a ver as minhas possibilidades de retomar o controlo da situa\u00e7\u00e3o. Ajuda-me muito, por isso acho que um caderno \u00e9 importante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para tudo o resto, existem substitutos: por exemplo, o piloto autom\u00e1tico deixou-me ficar mal, mas um pequeno livro mostrou-me como ajustar as velas de uma determinada forma para manter o barco equilibrado. Sei que hoje em dia \u00e9 poss\u00edvel navegar de outras formas com um sextante, guiado pelas estrelas, at\u00e9 mesmo em navega\u00e7\u00e3o costeira. Mas, para al\u00e9m de tudo isto, \u00e9 muito importante que n\u00e3o entre \u00e1gua no casco (risos).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, hoje em dia, quando nos preparamos para uma viagem, talvez o mais dif\u00edcil sejam os vistos, a documenta\u00e7\u00e3o, a burocracia; n\u00e3o s\u00e3o igualmente acess\u00edveis a todos. Um passaporte franc\u00eas n\u00e3o tem o mesmo valor que um passaporte brasileiro ou argentino, por isso passamos muito tempo a lutar contra a papelada (risos), e depois, quando estamos a navegar, tudo parece muito mais f\u00e1cil.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #081fa3;\"><strong><em>A rela\u00e7\u00e3o entre navega\u00e7\u00e3o e literatura \u00e9 muito antiga. Porque acha que esta liga\u00e7\u00e3o entre a escrita e o mar \u00e9 t\u00e3o importante? Ou o que o motivou a escrever livros que retratam essas viagens? <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o muito importante, porque acredito que, sem a literatura, grande parte da navega\u00e7\u00e3o seria sem sentido. As viagens s\u00e3o enriquecedoras porque nascem da mesma imagina\u00e7\u00e3o. Pass\u00e1mos muitos dias em alto mar, sem nada \u00e0 nossa volta, e atrav\u00e9s da literatura conect\u00e1mo-nos com outras pessoas que fizeram a mesma viagem noutra \u00e9poca, h\u00e1 muitos anos, ou numa paisagem talvez semelhante \u00e0 nossa. As experi\u00eancias dos outros ajudam-nos tamb\u00e9m a perceber que as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que enfrentamos n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o complicadas e que as boas s\u00e3o talvez melhores do que imagin\u00e1vamos, porque a realidade \u00e9 sempre mais complexa do que a imagina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os livros permitem-nos imaginar, e o desejo \u00e9 a \u00fanica raz\u00e3o que nos torna marinheiros: n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es l\u00f3gicas para empreender uma viagem; \u00e9 desconfort\u00e1vel, perigoso, lento e dispendioso ir de um ponto a outro do planeta. No entanto, se o fazemos, \u00e9 porque temos um desejo, e esse desejo nasce unicamente da imagina\u00e7\u00e3o. Para mim, a literatura \u00e9 ainda uma das artes mais poderosas para expandir essa imagina\u00e7\u00e3o: muito mais do que o cinema, as s\u00e9ries de televis\u00e3o, os v\u00eddeos, a fotografia ou a pintura. Assim que lemos algo, temos a impress\u00e3o de estar naquele lugar; com as nossas pr\u00f3prias refer\u00eancias internas, criamos um mundo ou um universo inteiro.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;5px|||||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Tamara-en-proa-Sardinha-rotated.jpg&#8221; alt=&#8221;Tamara en proa Sardinha&#8221; title_text=&#8221;Tamara en proa Sardinha&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/navegantesoceanicos.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Navegando-en-paso-del-NW-scaled.jpg&#8221; alt=&#8221;Navegando en paso del NW&#8221; title_text=&#8221;Navegando en paso del NW&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 15,16&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #030baa;\"><strong><em>Ent\u00e3o, o que aconteceu quando come\u00e7ou a escrever os seus pr\u00f3prios livros? <\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por vezes, frustrava-me: a palavra &#8220;branco&#8221;, por exemplo, n\u00e3o era suficiente para descrever o que via. Os icebergues, o gelo, a neve. As palavras para o sol ou os cheiros n\u00e3o bastavam: este vocabul\u00e1rio parecia inadequado para tudo o que era vis\u00edvel. Muitas vezes, queria conter o mundo que observava com palavras, e ficava sempre insatisfeito com o que conseguia passar para o papel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, acredito que \u00e9 dever de todos os marinheiros que t\u00eam o privil\u00e9gio de realizar os seus sonhos e partilh\u00e1-los, documentar essa experi\u00eancia, porque muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam a oportunidade de sonhar ou perdem esse desejo quando crescem. Assim, esta \u00e9 uma forma de agradecer ao mundo a oportunidade de estar no mar, de fazer aquilo que mais gosto na vida, e que \u00e9 tamb\u00e9m uma ferramenta muito poderosa para mudar a vida das pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Todos os dias recebo mensagens de pessoas que, depois de lerem um dos meus livros, me dizem que decidiram mudar-se para outro pa\u00eds, ter filhos, terminar uma rela\u00e7\u00e3o, fazer um doutoramento, viajar ou mudar de emprego. Eu n\u00e3o contei a ningu\u00e9m; Eu simplesmente partilhei a minha pr\u00f3pria jornada. Mas precisam de um pouco de incentivo para dar o primeiro passo: para que o desejo ven\u00e7a finalmente o medo.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #091f9e;\"><strong><em>Quais s\u00e3o os principais livros que te influenciaram?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O primeiro \u00e9 um livro franc\u00eas de um velejador, G\u00e9rard Janichon, inicialmente publicado em tr\u00eas volumes. Conta a hist\u00f3ria de dois amigos de 18 anos que, na d\u00e9cada de 1960, decidem dar a volta ao mundo. N\u00e3o t\u00eam muito dinheiro, mas s\u00e3o jovens. Assim, equipam um pequeno barco de madeira para a viagem, enfrentando muitas dificuldades, mas com grande determina\u00e7\u00e3o para ir longe. Finalmente, completam a viagem, que demora cinco anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Acho que \u00e9 um livro que retrata o poder da ingenuidade e da juventude, mas tamb\u00e9m fala de uma grande amizade e do amor pelo mar. Parece mostrar-nos como as coisas podem ser dif\u00edceis, mas se soub\u00e9ssemos tudo de antem\u00e3o, ou o que isso implica, provavelmente nem sequer tentar\u00edamos. Fala tamb\u00e9m de um mundo que mudou muito, de fronteiras, de pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;1_5,3_5,1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; custom_padding=&#8221;10px||14px|||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_video src=&#8221;https:\/\/youtu.be\/LEdJ7WrMu1Y&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_video][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||10px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;||8px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][et_pb_text admin_label=&#8221;entrevista 17&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0613a3;\"><strong><em>Por fim, quais s\u00e3o os seus planos para as pr\u00f3ximas semanas?<\/em><\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Entre os meus planos mais imediatos est\u00e1 a conclus\u00e3o de dois livros que j\u00e1 est\u00e3o em curso: um sobre o Inverno no \u00c1rtico e outro sobre a Passagem do Noroeste, que ser\u00e3o lan\u00e7ados no Brasil e em Fran\u00e7a, para j\u00e1. Tamb\u00e9m tenho alguns projetos a solo, mas prefiro n\u00e3o partilhar nada sobre eles at\u00e9 que estejam conclu\u00eddos, ou falar apenas sobre o que j\u00e1 realizei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Daqui a algumas semanas, partirei numa expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Ant\u00e1rtida, com um grupo de marinheiros, para investigar a pesca do krill. Muitos pa\u00edses utilizam-no para alimentar o salm\u00e3o (uma ind\u00fastria cada vez maior), o que destabiliza toda a cadeia alimentar e \u00e9 muito prejudicial para o ecossistema marinho, afetando animais como as baleias, os pinguins e as focas. Estes animais come\u00e7am a sofrer com a escassez de alimentos, por isso vamos investigar o que se passa, juntamente com um grupo de cientistas, mergulhadores e jornalistas, para mostrar a gravidade desta situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider divider_weight=&#8221;3px&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;6px||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][dsm_image_carousel gallery_ids=&#8221;45250,45253,45256,45259,45277,45286&#8243; slide_to_show=&#8221;2&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/dsm_image_carousel][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; 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Tamara foi uma pioneira, tornando-se a primeira mulher latino-americana a atravessar uma passagem inexplorada que liga os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico, passando pelo norte do Canad\u00e1, Gronel\u00e2ndia e Alasca (a Passagem do Noroeste). 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