Kirsten Neuschäfer tornou-se a primeira mulher a vencer uma regata de volta ao mundo em solitário e sem escalas: a Golden Globe Race de 2022.
Este livro narra com mestria o percurso desta excecional velejadora oceânica rumo à sua merecida vitória — uma verdadeira lição de tenacidade, dedicação, vida a bordo e experiência no mar.
Juan González-Aller. “Navegantes Oceánicos”
Revisão de «All Good, K.: Along the Way to Victory in the Golden Globe Race 2022» de Kirsten Neuschäfer
A GGR é uma réplica da regata original de 1968: a primeira circum-navegação do mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, através do Oceano Antártico. Nove concorrentes partiram em 1968, mas apenas um completou o desafio: o lendário Sir Robin Knox-Johnston, aventureiro e inspiração para muitos. Revivida pela primeira vez em 2018, a GGR atual replica a original: são utilizados veleiros de cruzeiro de estilo clássico, a navegação é feita por observação das estrelas e apenas é permitida a tecnologia existente em 1968.
Quando Kirsten se inscreveu na GGR, praticamente não tinha experiência em regatas. Não fazia ideia de como financiar ou gerir uma campanha, evitava as redes sociais e nem sequer possuía um barco. No entanto, sempre apreciou a aventura e a vela a solo foi a sua paixão desde jovem. Empreender uma viagem de tal magnitude — 30.000 milhas marítimas — era uma expedição sem paralelo; algo que cativou a sua imaginação e moldou os seus sonhos.
Embora a regata em si seja fascinante e emocionante, é a história da viagem até à linha de partida — em Les Sables d’Olonne, França — que diferencia este livro de outras obras sobre vela. Kirsten partilha inúmeros detalhes técnicos dos preparativos, desde a construção do barco até às técnicas de navegação. Com um humor acutilante e um olhar perspicaz e observador, dá vida às muitas pessoas que a acompanharam nesta viagem, tanto literal como figurativamente. Conhecemos o falso chefe do porto de Summerside, o soldador que se imaginava mergulhador, o músico que compôs uma canção sobre “águas risonhas”, o cozinheiro que se revelou um génio aprisionado em cem garrafas, e muitos outros.
A um outro nível, o livro é uma meditação sobre a natureza e o eu. Passar oito meses sozinha no seu barco, o Minnehaha, rodeada pela imensidão do oceano, enfrentando os elementos — muitas vezes em condições turbulentas, mas também durante longos períodos de acalmia — foi uma experiência profundamente transformadora. Isto trouxe uma nova compreensão da fragilidade da vida e da interligação de todos os seres vivos. Momentos de frustração e desespero, contrastando com a alegria e a gratidão pelo dom da vida, marcam os marcos náuticos na viagem singular de Kirsten, uma viagem de exploração tanto interior como exterior.
